domingo, 29 de maio de 2011

Agora em dvd: "Revolução em Dagenham"

É uma pena que um filme tão adorável e brilhante como este, não tenha tido o reconhecimento devido no ano passado. Mesmo tendo feito sucesso em Toronto e 4 indicações ao Bafta (de melhor filme inglês, melhor figurino, maquiagem e melhor atriz coadjuvante para Miranda Richardson), o longa acabou não sendo indicado à outras premiações, e Sally Hawkins mais uma vez foi ignorada nos grandes prêmios, o que soa absurdo por tratar-se de uma das melhores atuações de 2010. Dirigido por Nigel Cole (de “Garotas do Calendário), e escrito por William Ivory, este filme é uma jóia que merece ser resgatado agora que chega em dvd.

Baseado na historia real de um grupo de operárias da Fábrica da Ford em Dagenham, Inglaterra que conseguiram igualar os seus salários aos dos homens no final da década de 60, o filme mostra a luta destas mulheres por seus direitos, encabeçados por Rita (Sally Hawkins) que sacrifica-se por esta luta dando tudo de si para conseguir o resultado, com a ajuda de Albert (Bob Hoskins), Brenda (Andréa Riseborough), Lisa (Rosamund Pike) e claro a ministra Bárbara Castle (vivida por Miranda Richardson) que a incentiva para seguir em frente.

E o filme é todo luxo: dos figurinos assombrosos de Louise Stjernward, até a trilha sonora divertida de David Arnold e a direção de arte de Andrew McAlpine, o filme tem um estilo e graça que agrada a todos, e tem uma jogada muito bacana ao misturar cenas reais da época intercaladas às cenas do filme nos principais acontecimentos da trama. Mas é o elenco maravilhoso que realmente chama a atenção, principalmente Sally, Bob Hoskins e Miranda Richardson, que brilham incandescentes em seus papeis, trazendo uma doçura aos papeis de modo que nos apaixonamos por eles no instante os quais os conhecemos. Alem claro de ter um roteiro muito dinâmico, nunca cansativo, que instiga o publico a torcer por aquelas mulheres destemidas e corajosas que fizeram a diferença na historia dos direitos da mulher.

É um filme excelente, sem nenhum furo ou ponto negativo, que consegue o feito que poucos filmes conseguem: ter conteúdo, entreter e emocionar, tudo isso com uma qualidade implacável e refinada que só os ingleses têm.

Nota: 10,0

sábado, 14 de maio de 2011

Agora nos cinemas: Videocast de Reencontrando a felicidade


Meus comentários sobre o longa "Reencontrando a felicidade"- Rabbit Hole, com Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne West e Sandra Oh:)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Cinema Musical: A trilha sonora de A Árvore da Vida

Todos sabem que eu sou fã declarada de Alexandre Desplat...então quando este projeto foi anunciado há mais de três anos, as minhas expectativas eram realmente altas...não apenas por ele ser um dos meus compositores favoritos, mas por este filme ser dirigido pelo meu diretor favorito, aquele o qual eu sempre anseio em ver um longa: Terrence Mallick. A ansiedade então foi se transformando em angústia, quando simplesmente o filme não era lançado- de 2009 até aqui, ele foi sendo transferido de ano a ano, até que finalmente ele irá estrear em Cannes esta semana, sendo que logo após irá ser lançado nos cinemas mundiais. Quanto à trilha, ela finalmente está sendo lançada e o que eu posso dizer é que é o melhor trabalho de Desplat justamente por ser o mais experimental, diferente, e entregue que ele já fez em toda sua carreira. Com um score que lembra o estilo de compositores como Stravinsky e Smetana, ainda é cedo para se falar em melhor trilha do ano, mas dificilmente haverá um trabalho tão completo e único quanto este.

O longa que ainda tem a trama cheia de segredos, contará a história de Jack (personagem de Sean Penn) desde a sua infância até a fase adulta, através do desenvolvimento do seu relacionamento com seus pais, que serão vividos por Brad Pitt e Jéssica Chastain. Tudo claro, envolvido em uma trilha filosófica, mística e misteriosa, que promete ser o grande filme de 2011.

Mas vamos à trilha- com 12 faixas, Desplat fez um trabalho totalmente inserido no conceito do filme praticamente traduzindo em notas a trama e tudo que há nela, se tornando um dos alicerces do longa, através de melodias únicas e geniais.

A primeira faixa do longa é “Childhood” que é extremamente sensível, mas de grande alcance, sendo basicamente dominada por um piano em dinâmica pianinho que soa como se fosse uma introdução para a explosão de ritmos e sons que estão por vir.

Já “Circles” é uma verdadeira odisséia, com mais de 11 minutos de duração, é praticamente uma experiência sensorial, onde através da melodia pode-se sentir a trilha, sendo um dos pouquíssimos scores dos últimos anos que consegue nos transportar para outro lugar. Durante todo o andamento da faixa consegue-se absorver o que cada melodia e passagem quer dizer- seja pelos cellos e órgãos que ecoam à uma viagem no tempo, ou pelas flautas e cordas que traduzem a beleza da natureza, sendo que esta faixa é praticamente uma atmosfera de lugares, sentimentos e emoções, onde denota-se a entrega total de Desplat ao projeto em questão. Sem defesas ou trejeitos, apenas a doação total da trilha perante o filme.

Já “Clouds” soa inicialmente como se os instrumentos estivessem chovendo, onde cada nota parece ser uma gota de chuva, para que posteriormente as cordas invadam a faixa em uma passagem sutil e bela, criando uma metáforas através da harmonia da faixa. Depois o score segue-se com “River”, que é pura poesia, começando com um piano evocando a mais profunda sensibilidade do ser humano, em uma melodia soberba e profunda, que aguça todos os nossos sentidos.

“Awakening” inicia-se com um piano que após irá se sobrepor às cordas. Mas o seu segredo mesmo está no seu final, onde a orquestra parece explodir com uma sonoridade que remete à um nascimento, uma epifania, algo transformador e definitivo. Posteriormente a trilha segue com “Emergence of life”, onde mais uma vez se ultrapassa os limites entre uma simples trilha sonora à um verdadeiro corpo do ambiente o qual está se desenvolvendo, assumindo seu posto de peça fundamental ao impacto das situações que se sucedem no filme.

Destaca-se também “Light and Darkness” que brinca com os instrumentos, alternando o som grave dos cellos ao mais agudo dos violinos, onde no inicio há uma referencia à canções de ninar, que vai crescendo e tomando corpo, sendo que no final as cordas brilham com um som iluminador, etéreo e puro.

Em “Good & Evil” há o tema do filme tocado de modo bem nostálgico e triste através de um violino praticamente em estágio de afinação de modo bem natural e virtuoso, sendo que após é acompanhado por um cello resultando em um equilíbrio perfeito. Outra grande faixa é “Motherhood”, onde as cordas dominam a faixa com uma melodia triste, nostálgica, amorosa e encantadora ao mesmo tempo, soberana e elegante.

Já “City of glass” assim como em “Childhood” é o piano quem tem mais destaque, de modo muito lento, suave, mas ao mesmo tempo dilacerador, sendo que novamente a faixa conclui-se com cordas, mas desta vez de maneira muito delicada e discreta. E “Fatherhood” talvez seja a faixa mais elegante da trilha, com uma sonoridade fina e gostosa de ouvir, bem natural e espontânea.

Após ouve-se a poderosa “Temptation”, que parece traduzir antíteses através das suas notas- entre sons luminosos e obscuros, suaves e fortes, abertos e fechados, há um choque de impressões intensas transpostas através da musica, complexa e simples ao mesmo tempo.

E para fechar com chave de ouro, há a doce “Skies” totalmente espontânea e graciosa, muito delicada e cativante, que se torna inesquecível por causa de um solo de violino totalmente harmônico e fantástico, que é acompanhado por uma orquestra tocante e sensitiva, totalmente completa e verdadeira.

É então uma trilha para se experimente, sentir, sendo praticamente uma jornada à mais profunda beleza da alma, de percepção única e marcante, que, independente de qualquer premio ou situação, consegue ser maravilhosa pelo que realmente é: incomparável e tradutora da beleza do ser.

Número de estrelas: 5

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Videocast: Como arrasar um coração

Oi gente, mais um videocast na parada, agora sobre o filme que estreia hoje nos cinemas brasileiros, o ótimo "Como arrasar um coração":


video


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Agora nos cinemas: "Os agentes do destino"- porque o amor supera tudo!

Eu sei que este filme saiu nos cinemas faz um tempo, mas só esta semana eu tive a oportunidade de vê-lo, então vamos lá:

Baseado em um conto de Phillip K. Dick, "Os agentes do destino" é um romance...embora seja um romance com uma pitada de ficção científica (o que é normal já que trata-se de um dos maiores autores do gênero), o longa trata nada mais nada menos do que do amor.
O filme conta a história de David Norris (Matt Damon), um deputado que está se candidatando ao senado, mas que perde a eleição por causa de coisas que fez na juventude. Antes de ir fazer um discurso por causa de sua derrota, ele acaba conhecendo Elise (Emily Blunt) e se apaixona perdidamente por ela...é um amor à primeira vista, uma paixão tão forte que ele, nem ela podem suportar...mas, acabam se desencontrando e cada um segue a sua vida.
Ocorre que, três anos depois, ao pegar um ônibus para sua empresa, David se depara com Elise no ônibus. Conversam, riem, ele pega seu telefone, mas ao chegar em seu trabalho, David se depara com o inimaginável: na sala de reuniões da empresa, todos estão paralisados enquanto um grupo de agentes não identificados fazem uma espécie de inspeção. O que são eles afinal? E o que eles estão fazendo? E a resposta é muito mais divina do que se imaginava.
Os "agentes" nada mais são que anjos que fazem pequenos ajustes na vida de todos nós (isso na idéia do filme claro), então cada vez que alguém derrubou um café na roupa, perdeu um ônibus, esqueceu algo em casa- tudo isso é um ajuste, para que as pessoas sigam seus destinos. Esses agentes são comandados por um presidente (que seria Deus mas que em nenhum momento é mostrado no filme) e devem certificar que o destino de cada um se cumpra...mas, existe sim o acaso, que são acontecimentos que ocorrem sem que os agentes possam controlar, ou entender.
Ocorre que David então fica sabendo disso pelo agente Richardson (John Slattery como sempre ótimo) e não pode contar à ninguém porque se contar, ele será reiniciado (fazendo com que ele enlouqueça). Até aí tudo bem, se não fosse o fato de que David nunca mais poderá ver Elise na vida! O motivo? David e Elise foram feitos um para o outro, até que em 2005 o plano do destino (sim o destino pode ser mudado, mas por Deus, ou seja o presidente) foi modificado fazendo com que ela tivesse um destino ligado à outro homem, e ele à presidência dos Estados Unidos. Mas David não vai desistir do grande amor de sua vida, e nada no mundo vai impedir que os dois fiquem juntos, mesmo que ele tenha que desistir de tudo por ela. E tudo isso é claro com a ajuda de seu agente pessoal, Harry (interpretado pelo sempre ótimo Anthony Mackie)
Com um roteiro e direção de George Nolfi (responsavel pelo roteiro de "O ultimato Bourne") que explica muito bem cada situação sem se tornar didático ou chato, "Os agentes do destino" é uma história de amor, muito bem feita, que emociona, mas sem cair no clichê e que tem ótimas interpretações de Matt Damon e Emily Blunt, que tem grande química entre si. Os coadjuvantes também são de peso- John Slattery, Anthony Mackie e Terence Stamp (como o agente que tem a incumbência de separar o casal custe o que custar) que estão ótimos como os agentes, cada com a sua característica, além claro da trilha sempre eficiente de Thomas Newman.
Mas o que mais chama a atenção no filme é o fato de mostrar o amor como o sentimento mais poderoso do universo, sentimento este que pode mudar quem somos, fazer de nós humanos pessoas mais completas.
E de que, no final das contas, o amor supera tudo. Até Deus.

Nota: 8,5