quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Agora em dvd: Bernard & Doris


Chega em dvd este filme da HBO do ano passado- “Bernard e Doris” estrelado por Susan Sarandon e Ralph Fiennes que concorreu a 3 globos de ouro este ano e é dirigido por Bob Balaban (que já concorreu ao Oscar por ter produzido o filme “Assassinato em Gosford Park”).
O filme, baseado em fatos reais, narra o relacionamento da milionária da industria do tabaco Doris Duke e seu mordomo, Bernard Lafferty, um “casal” que se completava na maioria dos sentidos (tirando o fato de que os dois não tinham relacionamentos sexuais).
A direção de Bob Balaban serve mais de apoio para que os protagonistas da trama consigam desenvolver seus personagens de modo afinado e claro- enquanto Susan explode em tela, Ralph, bem no seu estilo minimalista, atua de modo contido e coeso.
A diferença entre os dois personagens (e também no estilo de atuação de Ralph e Susan) traz o charme ao filme, que se destaca também pela sua bela reconstituição de época, onde se destaca a fotografia de Mauricio Rubinstein muito bela e caprichada.
De tal modo então é um belo filme, onde a força de seus protagonistas é também a força do filme...um longa inteligente, cômico, afetivo que merece a atenção de quem gosta de ver boas atuações.
Nota: 7,0

sábado, 19 de setembro de 2009

Agora em dvd: Férias Frustradas de Verão


Greg Motolla é um dos diretores dessa nova safra do gênero comédia que consegue interpor idéias cômicas, mas ao mesmo tempo bem feitas, cativando e entretendo o grande público. Ele é mais conhecido por ter dirigido a comédia “Superbad” mas anteriormente já havia se envolvido na direção de séries como “Arrested Development” e “The Comeback” . Em “Adventureland- Férias Frustradas de Verão” ele comanda uma comédia deliciosa, mais madura de séria do que “Superbad” e com um charme inigualável: do filme se passar nos anos 80.
O filme conta a história de James (Jesse Eisenberg), um menino que, sem condições de ir para uma faculdade depois de se formar no ensino médio porque seu pai foi rebaixado de função em seu emprego, tem que ficar na cidade onde vive, trabalhando no verão. É então que ele é contratado por Bobby (Bill Hader) e Paulette (Kristen Wig) para trabalhar no parque de diversões Adventureland, onde ele acaba conhecendo Em Lewin (Kristen Stewart), uma garota jovem e bacana o qual James rapidamente se apaixona...mas as coisas não serão tão fáceis no relacionamento dos dois, e durante as férias “frustradas” de verão” James vai amadurecer e aprender mais sobre si mesmo.
É um filme daqueles gostosos de ver, com uma trilha dos anos 80 incrivel, um figurino (assinado por Melissa Toth) que se destaca por ambientar bem os anos 80 (o que não é difícil, mas quando fala-se na década de 80 corre-se o risco de perder a mão e exagerar), atuações boas do elenco (destacando-se claro, Jesse Eisengerg, mais uma vez provando o seu talento) e um roteiro bacana, o filme lembra, em seu estilo e tom, o ótimo “Uma noite de Amor e Música”, pelo clima existente em ambos os filmes.
É um filme bom para passar o tempo, relembrar dos velhos tempos (para aqueles que viveram nesta década) e chegar-se à conclusão de que nenhuma era foi tão colorida, única e doce quanto os anos 80. Um filme que vale a pena ser visto.
Nota: 8,0

sábado, 12 de setembro de 2009

Agora nos Cinemas: Up! Altas Aventuras


Então vamos lá. Sei que tocar neste assunto é quase um tabu, além de pedir para ser apedrejado. Mas eu vou insistir em cutucar o dedo na ferida: a Pixar, apesar de ser a melhor empresa de animação americana em atividade atualmente, é muito mais um grito do que um fato. Wall-E teve uma campanha publicitária massacrante, os críticos e a própria indústria o venderam como uma das obras primas máximas do cinema contemporâneo. Quem leu minha crítica deve se lembrar a decepção que senti ao ver que Wall-E era uma grande premissa perdida. Por que estou falando isso? Pois bem... Up! - Altas Aventuras é outra grande premissa perdida.

Foi quase reviver o que vivi com o filme do robozinho: um primeiro ato (aqui mais um prólogo) embasbacador de tão apaixonante e um personagem principal apaixonante, rico e complexo, que nos fascina em questão de segundos. Mas então tudo muda: a necessidade de agradar as crianças, um segundo ato patético, um vilão ridículo, algumas pitadas de emoção aqui e ali (só para ficarmos com a leve sensação de que "isso poderia ter sido grande" e, no fim, algo que não pode se recuperar.

Carl Fredriksen é um senhor solitário que vive nostalgicamente num passado simbolizado por sua casinha colorida, no meio de uma enorme construção de modernos edifícios. Sua vida nos é apresentada em um prólogo impressionante, no qual ele conhece uma garotinha tão sonhadora como ele, e um dia eles irão se apaixonar, se casar, planejar um lar juntos, tentar ter um filho, sofrerem um aborto e a impossibilidade da mulher em engravidar, e viverem juntos e sozinhos até o dia que fatalmente a morte levará sua esposa. Triste? Muito. Bastam os primeiro cinco minutos de Up! para nos derretermos. Mas também disso não passa, o que se inicia então é lamentável.

Sentenciado a viver em um asilo por causa da agressão que faz contra um dos construtores, Carl (deliciosamente dublado por Chico Anysio), baloeiro de profissão, resolve partir em um vôo dentro de sua casa com balões de hélio. Sem querer, um pequeno escoteiro obeso (aliás, não foi a obesidade que recebeu uma severa e grosseira crítica em Wall-E?) segue junto na aventura. Até então, sabendo que este é (ou deveria ser) o mote do filme, os balões soam muito mais mágicos que absurdos. O que não prossegue quando eles aterrisam no tal paraíso. Então a trama a se desenrolar se transforma completamente, caindo em uma barata aventura de tentar salvar um raro pássaro das mãos de um caçador implacável. Originalíssimo, não? E uma das frases mais "clássicas" do filme (É um cachorro! Que fala!) foi facilmente adaptada em minha cabeça para algo do tipo "Puta que o pariu, é um cachorro que fala! É o ponto mais baixo da Pixar até agora!". Pois bem, o cachorro falante foi um dos meus maiores problemas com o filme. Não há a menor necessidade nem justificativa narrativa para tal. E não, o cachorro não tem super-poderes. É só uma máquina inventada para traduzir seus sentimentos em fala. Mas ainda assim é absurdamente babaca.

Enquanto a trama segue mal, o resto vai muito bem. A Pixar continua sendo arrebatadora em seu visual, a dublagem é toda muito boa e, claro, o maior destaque fica para a excepcional trilha de Michael Giacchino.

Up! é mais uma prova que a Pixar ainda é a melhor, mas por falta de concorrente. Ainda sinto que ela deveria transformar as premissas ou o primeiro ato de seus filmes em curtas, e aí sim teríamos as obras mais bonitas possíveis. Mas enquanto ela estiver presa a sua responsabilidade de agradar o gênero infantil, e ficar enfiando cachorros falantes e robôs assassinos em meio de tramas mais sérias e que poderiam ser muito mais interessantes, não teremos a tal obra prima máxima que tanto anunciam aos quatro ventos.

Que pena.

Nota: 6,5

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cinema Musical: O Ano do Desplat!


Como os que me conhecem por aqui sabem, eu sou MUITO fã de Alexandre Desplat, esse compositor francês que conquistou o mundo há algum tempo e que hoje é o maior compositor em atividade do mundo...depois de trilhas assustadoramente perfeitas como "O despertar de uma paixão" (minha trilha favorita de all times), "A rainha", "De tanto bater meu coração parou", "Desejo e perigo" e "O curioso caso de benjamin button" (fora tantas outras lindas), esse ano Desplat consegue um feito que NENHUM, digo NENHUM outro compositor conseguirá: ser responsável pela trilhas de 8 (sim são OITO) trilhas musicais- e nada de trilha comunzinha não...o cara vai do popular (Lua Nova) ao mais clássico (The Tree of Life) passando por uma animação (O fantastico Mr. Fox) e outros filmes de peso...são eles: "Coco Avant Chanel" (a trilha do ano até agora na minha opinião), "Julie & Julia"(dir. por Nora Ephron), "Un Profète"(de Jacques Audiard), "L´Armee du Crime"(dir. por Robert Guédiguian), "Cheri" (de Stephen Frears), os já citados "The tree of life" (de Terrence Mallick), "Lua Nova" (de Chris Weitz) e "O fantástico Mr. Fox" (de Wes Anderson)...das 8 trilhas já ouvi quatro: "Coco avant chanel", "Cheri", "Un Profete" e "Julie & Julia" e é incrivel como todas elas são de um nível altissimo!!! Eu já conferi também o filme "Cheri" e a trilha encaixa-se muito bem (e o filme é muito bom também)...e vale lembrar que Desplat está indicado como o compositor do ano no world soundtrack awards (o qual eu voto) por seu trabalho em Largo Winch, Benjamin Button e Coco Avant Chanel...e vale lembrar que todas as redes de apostas apontam Desplat com "The tree of life" e "Coco avant Chanel" no Oscar...que VAMOS E VENHAMOS já foi MUITO injustiçado!!! Eu, se fosse da academia já teria dado os 2 Oscars pra ele (embora no ano da Rainha eu o teria indicado por "The Painted Veil" pra mim seu melhor score), e ainda o teria indicado em "Moça com brinco de pérola", "De tanto bater meu coração parou (o qual ele ganhou o urso de prata em Berlim)", "Syriana" e "Desejo e Perigo"...mas esse ano o único grande adversário pra mim seria Michael Giachinno, o querido compositor de "Lost", "Cloverfield" e "Ratatouille" que vem forte com "Up!"...mas vamos e venhamos né galera...injustiça por injustiça vai ser o Desplat com 8 scores não receber a estatueta...masssss tietismos à parte, uma coisa é certa: o querido compositor francês vai ficar hiper ultra mega popular, já que é certo que a trilha de "Lua Nova" vai vender MUITO (só pra constar, a trilha de "Crepusculo" já vendeu mais de 4 milhões de cópias até agora)...então de qualquer maneira, este é o seu ano...e viva Alexandre Desplat!!!!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Agora em dvd: Toda a originalidade de "Piratas do Rock"


Antes de mais nada, mesmo que o filme não seja indicado à nenhuma premiação, não posso esquecer de falar que “Os piratas do Rock” tem a abertura de filme do ano! Alternando com Phillip Seymour Hoffman na tela, e os ouvintes dançando, curtindo caminhando e ouvindo rock and roll o filme tem uma abertura originalíssima. Mas, como não é só de abertura que vive um filme, devo dizer que Richard Curtis (vocês podem não conhecer o nome mas com certeza já viram os filmes escritos por ele: Quatro Casamentos e um funeral, Mr. Bean, Um lugar chamado Nothing Hill, O diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor (o qual ele dirigiu e roteirizou), Bridget Jones- no limite da razão e agora Piratas do Rock (que ele também dirige e roteiriza), onde tem,provavelmente, seu roteiro mais original. Mas vamos à história: Inglaterra, 1966, ano no auge do rock, onde Beatles e companhia fervilham em inspiração, A BBC radio, só toca rock e pop por pouquíssimo tempo por dia e existem então as rádios piratas que se instalam em barcos ao norte do Reino Unido para tocar rock o dia inteiro para jovens, crianças, idosos, enfim, para todos se sentirem felizes e curtirem um bom som...na tripulação do barco estão The Count (Phillip Seymour Hoffman), Quentin (Bill Nighy), Doc Dave (Nick Frost), The Nut (Rhys Darby), Simon (Chris O´Dowd), Mark (Tom Wisdom) e Felicity (Katherine Parkinson)...no inicio do longa porém chega ao barco Carl (Tom Sturridge) filho da sex simbol Charlotte (Emma Thompson- lindíssima no filme) procura seu padrinho Quentin (sendo que na verdade ele crê que Quentin é seu pai). No barco muita festa, música e diversão, onde tudo seria perfeito se Sir Alistair Dormandy (Keneth Branagh, onde foi parar sua beleza?) não estivesse na cola dos DJ´S, alegando que eles são “um mal à moral inglesa”. Mais tarde ainda chega Gavin (Rhis Ifans) o maior DJ do mundo que regressa à Inglaterra e ao Barco do Rock. Enfim...é o filme mais estiloso do ano, com musicas deliciosas, atuações graciosas (onde claro, Phillip Seymour Hoffman toma o filme para si) com um gostinho de juventude, de coisas frescas e doces, que nos lembram os melhores momentos da vida.
A parte técnica do filme também é ótima, onde os figurinos dão até gosto aos olhos (principalmente da caracterização das atrizes Gemma Arteton, Talullah Riley e January Jones) e o rock and roll impera onde alguns dos melhores atores britânicos estão reunidos para festejar a juventude...não posso deixar de elogiar também os jovens Tom Sturridge, Chris O´Dowd e Tom Wisdon, muito bem em seus respectivos papéis...é um filme, na verdade, que, todos que amam musica deveriam assistir, pois a bagagem dele é enorme! Vemos ali o retrato de uma época camuflada, mas que aspirava o desejo de liberdade, onde a musica era a maior expressão da mesma...enfim, é o retrato de uma era fantástica, feito sob o foco de um inglês que realmente ama seu país, com um elenco de alto nível britânico, que realmente vale ser visto. Um filmão, com F maiúsculo, de deixar os olhos marejados de lagrimas no final.

Nota: 10,0