sábado, 25 de abril de 2009

Cinema Musical: O incrivel score de "Brideshead Revisited"


A ultima vez ao qual comentei sobre uma trilha de Adrian Johnston, salientei a falta de criatividade do mesmo ao tornar-se maçante com o score de "Amor e Inocencia". Pois agora digo, que ele não só se recuperou imensamente, como também compos sua melhor trilha com "Brideshead Revisited", e provavelmente a mais bela trilha de 2008 (sim o score é melhor que Benjamin Button do Desplat).
Adaptação para o cinema do clássico "Brideshead Revisited"- "Memorias de Brideshead", que também é famoso pela série de 81 protagonizada por Jeremy Irons, conta a história de Charles Ryder (nesta versão interpretado por Mathew Goode), jovem pobre que vai estudar em Oxford e lá conhece Sebastian Flyte (Ben Whishaw, incrivel no papel), jovem rico e extremamente sensivel, que se torna seu melhor amigo, e o leva para passar uma temporada em sua casa, Brideshead, onde Charles conhece Julia (Hayley Atwell), irmã de Sebastian, e se apaixona por ela(embora Sebastian se apaixone por ele). Além de conhecer a matriarca da familia, Lady Marchmain (Emma Thompson), uma mulher controladora e manipuladora. Enfim, o filme é lindo, extremamente bem realizado, e necessitava realmente de uma trilha marcante- o que ocorre. A sensibilidade está presente em todos os momentos desta trilha que é realmente surreal.
A primeira faixa do longa, "Sebastian" é uma peça executada no piano de modo muito suave, mas também nostálgico, o que na verdade caracteriza o fantastico personagem de Ben Whishaw no longa, tão carinhoso e sensivel, mas também tão sofredor pelas maldades ocasionadas poe sua mãe...realmente bela.
Logo após ouve-se "Memory", faixa mais tragica e misteriosa, que indica que os acontecimentos da historia são realmente perturbadores e tristes. Uma melodia instigante. Já "Guilt" é um dos pontos altos da trilha, alarmante mas com uma melodia belissima, que remete os olhos às lagrimas, como quase que instantaneamente. Mas é em "Oxford" que se enxerga a vida, com a viola tramando pequenas melodias ao mesmo tempo que os violinos ressoam harmonicos e corajosos. Em "A crock of gold" é impossivel não sentir-se no céu, com tamanha paixão e verdade existente nos mais profundos sentimentos.
Outras faixas também são memoráveis como "Arcadia", "The first visit", "Faith" e "Venice", todas tendo como principal caracteristica sua força e clareza nas melodias.
Em "The Lido" ouvimos novamente a melodia principal do longa, o toma de Sebastian, agora alternado com cordas e cellos que sobrevoam as notas calmamente, "legato" e pianinho. Para depois ressurgir explodindo a mistura de sons. Já "Desire" tem no violino sua principal força, como se as notas como ondas que estivessem explodindo entre si.
Mas a beleza da trilha encontra-se mesmo na faixa "Contra Mundum" onde todo o sentimento de Sebastian por Charles se choca com a dor que ele sente ao descobrir que Charles é apaixonado por Julia. A partir deste momento, deve-se dizer, que a trilha torna-se mais obscura, nebulosa, pois embora seja Charles quem conte a historia, os momentos da trama vão sendo apresentados como os sentimentos de Sebastian - da felicidade, paixão e ilusão, à tristeza e solidão.
E a ultima faixa "Always summer", retoma os pensamentos do verão perfeito que Sebastian, Charles e Julia viveram. O que nos reflete como momentos que nós mesmo vivemos que consideramos perfeitos, segundos, horas ou dias, momentos em que queremos voltar à viver, para que possamos possamos achar a linha da nossa alma, aprendendo a superar os erros e, finalmente, encontrar a felicidade. E ao ouvir a trilha de "Brideshead Revisited", com certeza desfruta-se um pouco destes momentos.
Nota: 10,0

terça-feira, 21 de abril de 2009

Series da BBC: Dr. Zhivago



Hoje assisti à belissima versão para a tv de Dr. Zhivago, classico da década de 60 que aqui ganha vida graças ao roteiro sempre incrivel de Andrew Davies. A série não foi produzida pela BBC, mas sim pela Granada, produtora canadense (mas se eu não me engano, passou na BBC), mas é linda. Ela é estrelada pelo incrivel Hans Matheson, que é mais conhecido por sua participação na segunda temporada de The Tudors, e pela na epoca, desconhecida KEIRA KNIGHTLEY, no papel de Lara, um tantinho antes de estrelar Piratas do Caribe. E ainda tem o Sam Neil como vilão da série, ARRASANDO como sempre.

A historia é aquela que todo mundo já sabe. Yuri Jivago (Matheson, que homem meu deus uhahuauha), que perde seu pai cedo, é criado pelos primos de seu pai (familia rica por sinal) e torna-se medico embora seja um grande poeta. Cresce ao lado de Tonya (Alexandra Maria Lara- linda, meu deus que mulé mais linda), que o ama e acabam-se casando. Mas acaba, depois de diversos encontros e desencontros, se apaixonando pela bela Lara (Keira), onde vivem um grande amor. Isso tudo com pano de fundo a revolução russa e suas tragicas consequencias.

A produção é fantastica. A fotografia,os detalhes, o roteiro...é tudo tão bem acabadinho, tudo tão redondo, que fica dificil criticar alguma coisa. Claro que, mesmo sendo uma grande série, não chega ao brilhantismo do filme de David Lean (considerado por muitos o verdadeiro épico do cinema), mas que dá gosto de ver dá...além disso, ela não é uma série cansativa...muito pelo contrário, ela realmente cativa e prende a atenção...enfim, é uma ótima série, de apenas 2 capitulos (cada um com 2 horas de duração), que vale a pena ser conferido pela sua qualidade. Realmente ótimo.

Nota: 8,5

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Em Teatro: A Noviça Rebelde


Se esta época do ano é insuportável para o cinema (Oscar season termina, blockbusters de férias ainda não se manifestaram, sobram as comédias românticas e os piores filmes de 2008 que, por algum motivo, não foram lançados direto em DVD no Brasil), o mesmo não pode se dizer para o teatro, uma vez que é o início da temporada 2009. Então vamos inaugurar esta nova seção do blog!

São Paulo e o Rio de Janeiro se destacam neste espaço, notavelmente quando o assunto é musical. O ano de 2009 está se mostrando um dos mais ricos possíveis para os fãs do gênero. Em São Paulo, a dupla Möeller e Botelho brinda com os musicais A Noviça Rebelde, 7 - O Musical, Sassaricando e Beatles num Céu de Diamantes. A T4F, responsável pela "importação" do gênero retoma A Bela e a Fera em uma curta temporada no Teatro Abril, e a Chaim Produções continua os preparativos para Hairspray. Isso falando apenas em São Paulo. No Rio, Avenida Q - também da dupla Moëller e Botelho - continua a carreira de sucesso do musical original: o pequenino com clima de "independente" ou "alternativo" que vai desbancando muita gente grande pelo caminho. Os realizadores ainda prometem, para este ano, Spring Awakening e Gyspy, que cedo ou tarde chegarão aos palcos paulistanos também.

Mas falemos de Noviça. A impressão mais forte e inevitável é de como deve ser difícil realizá-lo. Não apenas pelo seu grandioso porte, mas é uma obra fincada no coração e no imaginário de muitas pessoas. O filme transcendeu a sua época, caminhou por diversas gerações para chegar nos dias de hoje como um dos maiores clássicos do gênero e do cinema como um todo. Encarar uma responsabilidade dessas é de dar medo. Möeller e Botelho não parecem ter este medo. 

E eles realizam com tamanha paixão e competência que, no final das contas, parece que tudo é muito fácil. O suor de todos os envolvidos fica visível facilmente para os espectadores, dos belos figurinos de Rita Murtinho até os impressionantes e inspirados cenários de Rogério Falcão. A orquestra imprime uma energia inédita para algumas canções, como por exemplo Do Ré Mi, algo que é muito bem vindo. Claudio Botelho, como tradutor, faz um de seus melhores trabalhos; e a dupla de Claudio com Charles cria um dos principais pontos de referência de sua carreira (ao lado de uma das minhas peças "queridinhas": A Ópera do Malandro). 

O elenco está impressionante bem. Kiara Sasso, figurinha carimbada nos palcos paulistanos (listando seus trabalhos recentes, ela protagonizou A Bela e a Fera, foi alternante de Christine em O Fantasma da Ópera e fez Ellen em Miss Saigon) incorpora Maria, eternizada por Julie Andrews, de maneira doce e encantadora. Saulo Vasconcelos, também querido no teatro musical, fica com o papel do endurecido capitão Von Trapp. Estela Ribeiro, Ester Elias, Carolina Puntel enriquecem o elenco, que contava com o queridíssimo e encantador Francarlos Reis, que infelizmente faleceu no dia 8 de abril deste ano. Mas se há o que se destacar e exaltar do elenco, certamente são as crianças encantadoras que foram o resto da família. Infelizmente, duvido que conseguirei ver todas as crianças (são, ao todo, três "famílias" diferentes se alternando, para não sobrecarregar as crianças), mas não duvido que todas elas dão um show como aquelas que eu vi. 

Encantador do começo ao fim, a peça ainda proporciona a chance de o público conhecer o texto original, modificado em sua adaptação cinematográfica. Marcando mais um grande momento das produções nacionais, A Noviça Rebelde se torna o musical obrigatório da temporada. 

E respondendo à pergunta normalmente feita: infelizmente não há previsão sobre algum tour nacional do espetáculo. Mas, se algum dia forem passar por São Paulo... Já sabem! Em breve, crítica de 7.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Cinenews: Michael Sheen está no elenco de "Lua Nova"

Michael Sheen é a nova peça a integrar o time de Lua Nova, que tem estreia prevista para o final deste ano.
Sheen foi escalado para interpretar Aro, um dos três vampiros mais importantes do clã dos Volturi, uma espécie de família real. Aro é um personagem com cerca de três mil anos.
O diretor Chris Weitz confirmou a contratação do ator ao Daily Mail.
Pra quem conhece a saga, sabe que em Lua Nova o papel de Sheen será pequeno, e nada simpatico...de qualquer modo é muito bom ver um ator do nivel de Sheen em um papel mais diferente do que ele normalmente faz...vale lembrar que ele também participou da trilogia de Underworld.

sábado, 11 de abril de 2009

Cinema Musical: Mais um sucesso de Danny Elfman em "Milk"

Conhecido e querido por todos, Danny Elfman nos traz um sorriso quando pensamos neste compositor que desde Oingo Boingo tornou-se figura popular no mundo da música. Conhecido pela parceria ao lado de Tim Burton, desta vez ele volta a fazer parceria com Gus Vus Sant (onde ele colaborou para a trilha de “O gênio Indomável” filme mais famoso de Gus). Desta vez, Danny compôs o score do filme “Milk- A voz da igualdade”, sobre a vida do político Harvey Milk, interpretado por Sean Penn que mudou a vida política de San Francisco em sua luta a favor dos gays. Embora em alguns momentos a trilha de Danny seja melodramática demais inserida na trama, ela aplicada de forma isolada é bastante eficiente.
Em “Harvey´s Theme” o espírito de coragem do político é composto por uma orquestra que traduz a sensibilidade de Milk para a musica. “Main Tile” é uma introdução para a saga deste homem, homossexual assumido, que sempre deixou sua originalidade por onde passasse, onde há uma mistura de piano e saxofone em um estado otimista.
“Harvey Wins”, volta com o cello interpretando a melodia principal do filme, onde cordas se misturam criando uma atmosfera triunfal. Já “Weepy Donuts” joga o violão com as cordas de fundo, e “Anita´s Theme” é um momento lúdico com um coral encantador acompanhando a orquestra, doce ao extremo.
E assim se estende todas as faixas, uma beleza tímida, a coragem, uma sensibilidade de caráter, onde o ponto alto é não só conseguir compor ma trilha tão digna, mas sim, compor a alma de um homem que mudou toda uma nação.

Nota: 8,0

domingo, 5 de abril de 2009

Agora em dvd: O leão se apaixona pelo cordeiro em "Crepusculo"

E a fera apaixonou pela Bella...que para constar tem o sobrenome Swan e é tão corajosa quanto à heroína da animação da Disney, só que em vez de apaixonar-se por um príncipe amaldiçoado, apaixona-se por um belíssimo vampiro. Eu perguntava à mim mesma o por quê de tanto sucesso envolvendo a trilogia encabeçada por Crepúsculo. Assistindo ao filme obtive a resposta. O historia é simplesmente a mais romântica historia lançada na atualidade, e formulada de modo realmente interessante. Não é de se espantar então, que tanto os livros quanto o filme tenham causado uma coqueluche mundial, onde no final temos um gostinho de quero mais por sabermos que o filme tem continuação. E com um elenco gracioso onde Kristen Stewart (Bella Swan) e Robert Pattinson (Edward Cullen) são extremamente carismáticos, a fotografia é linda, e a trilha de Carter Burwell é uma preciosidade, Crepúsculo marca talvez o nicio de uma nova era de romances no cinema.
Quando Bella vai morar com seu pai na pequenina cidade de Forks, ela não tem muitas expectativas. Mas quando conhece Edward, sua vida muda totalmente. Atraída e curiosa por suas características, Bella acaba descobrindo o pior: Edward é um vampiro, que embora só se alimente de sangue de animais tem um desejo que poderia ser incontrolável pelo sangue de Bella, embora esteja completamente apaixonado pela mesma. A partir daí o filme toma um rumo, onde acabamos nos apaixonando também pelo casal principal e por uma historia que poderia cair no clichê, mas que tem um enredo enérgico e confiante, que não deixa a peteca cair, sempre com reviravoltas eletrizantes e com uma ótima condução da diretora Catherine Hawdicke (de “Aos treze”), afinada no ritmo dos acontecimentos.
Sendo um romance, bem aos moldes atuais, Crepúsculo encantará o publico jovem, principalmente o adolescente, por retratar um amor “impossível” onde o amor enfrenta barreiras para que possa sobreviver. Um conto de fadas moderno, que vai conquistar muita gente.

Nota: 9,0

quinta-feira, 2 de abril de 2009

My Favourite Things


Raindrops on roses and whiskers on kittens...

Onde começar? A música ou a situação? Nesses últimos dias, minha mania por listas me fez começar a pensar num ordenamento das melhores canções já feitas para um musical. Como sempre, racionalmente uma ganha estourado (a soberba La Vie Bohéme, de Rent!). Mas algo me obriga a dar o primeiro lugar para My Favourite Things. Não sei explicar.

Fazer aniversário sempre foi um rito para mim. Até um tempo atrás, a festa (ou os eventos comemorativos) são pensados e organizados desde... meados de janeiro. Apesar de estar sendo - até agora, e eu tenho medo de elogiar - um soberbo ano, se há algo que 2009 não se permite ser é ocioso. Foi assim que me vi organizando meu aniversário dois dias antes praticamente. E agora ele chegou, e pouco eu consigo pensar nisso. É isso que chamam envelhecer?

A música tem uma melodia maravilhosa, mas não necessita de adornos excessivos. O poder está na sua letra. Gotas de chuva, torta de maçã, floco de neve que cai no meu nariz e o belo inverno que se derrete em primavera. As coisas simples que quando tudo está duro e eu estou triste, eu me lembro delas e então não me sinto tão triste. 

Então, curiosamente (e coincidentemente), parte da comemoração será assitir ao musical A Noviça Rebelde, que finalmente chegou a São Paulo (inclusive, devo comentar sobre ele em breve). Com meu amor e a minha melhor amiga. E então no dia seguinte saio com meus amigos, todos eles (que forem, claro), num barzinho porque zuar a vida também é necessário. Mas, no meio disso tudo, ainda há o suor dos estágios e dos atendimentos... Mas como eu adoro tudo isso também! Infelizmente minha família só verei dias depois, semana que vem, quando o feriado permitir. E claro, também preciso agradecer aqueles que me acompanham por aqui, ou mais pelo orkut... E, porque não, ao blog, que daqui a pouco também faz aniversário, e era uma vontade bem antiga rs...

E então Maria canta para as crianças assustadas pelos raios e trovões. Eles são bonzinhos, só estão se comunicando. Os meninos não têm medo. Eles já estão crescidos. Liesl tem seu drama no temor que o pai descubra seu romance secreto. Ano passado eu soube como foi ficar com medo da chuva, e eu sei como meus favoritos fizeam com que eu não me sentisse tão mal. 

Eu não queria fazer da minha mensagem de aniversário um auto-ajuda barato. Mas como é bom ter pessoas que nos amam ao nosso redor, para amá-los também. É isso que sinto nesse 21 going on 22. E desejo, de coração, que todos vocês também tenham isso! É a base daquilo que chamam calma e felicidade.

Beijos a todos! E façamos guerrinha de travesseiros!