domingo, 1 de julho de 2012
Agora nos Cinemas: Branca de Neve e o caçador
Primeiro filme do publicitário Rupert Sanders, que conseguiu vender a idéia da adaptação do livro de Evan Daugherty através de apresentações especiais de cenas projetadas no computador, "Branca de neve e o caçador" é muito melhor do que o esperado, e, por incrível que pareça, é muito mais fiel ao conto original dos irmãos Grimm que outras adaptações famosas.
O filme narra a épica história de Branca de Neve (Kristen Stewart) que vive presa desde os 7 anos em uma torre por culpa de sua madastra, a rainha Ravenna (Charlize Theron). Quando o espelho da rainha anuncia que ela não é a mais bela do reino, ela manda buscar a jovem para matá-la e comer seu coração pois, segundo o espelho, se ela o fizer, será bela e jovem para sempre. Ocorre que Branca de Neve consegue fugir e adentrar a floresta negra, sendo que então a rainha contrata o caçador (Chris Hemsworth) para matar a princesa. Ele claro, não consegue assassinar a garota e passa a ser o "protetor" da mesma, para que ela chegue ao reino do jovem príncipe William (Sam Claflin) para reunir um exército e tomar seu reino de volta. Isso claro, com a ajuda dos sete anões.
Muitíssimo bem produzido (figurinos de Colleen Atwood, trilha de James Newton Howard e fotografia sensacional de Greig Fraser são os destaques) e com um elenco de peso (para os sete anões chamaram alguns dos melhores atores ingleses como Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones e Brian Gleeson), o filme não desaponta. Tendo um ar mais épico como o de "O senhor dos anéis" o filme é mais obscuro mas também mais poderoso, onde Charlize Theron nunca esteve tão bonita mas também tão má, Kristen Stewart não compromete e o roteiro embora deixe alguns furos (como a cena desnecessária do Troll), consegue fechar bem a história, que a mim soou com uma conclusão em aberto para uma futura continuação.
Um ótimo entretenimento, que merece ser conferido, mesmo por aqueles que não acreditem em contos de fadas.
Nota: 8,0
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Agora nos Cinemas,
Vivi
domingo, 24 de junho de 2012
Agora em dvd: O homem que mudou o jogo
Baseado no livro de Michael
Lewis, “O homem que mudou o jogo” é um ótimo filme do sempre competente Bennett
Miller, que dá a Brad Pitt o grande papel de sua carreira, e a Jonah Hill a
chance de mostrar o seu talento.
O
filme conta a história real de Billy Beane (Pitt), gerente do Oakland Athletics
que cansado de ver seu time perder se arrisca e começa a adotar um método do
economista Peter Brend (Hill) para contratar jogadores para o seu time: o de
estatísticas e fórmulas matemáticas com foco na potencialidade de cada jogador.
O método sofreu grandes críticas no início, mas deu ao time um grande êxito e
fez de Beane um visionário no esporte. Isso em contraponto com sua vida
particular em que ele tenta ao possível estabelecer um forte relacionamento com
sua filha Kasey (Kerris Dorsey) sendo que esta ligação será fundamental para o
desenvolvimento final da trama.
Com
6 indicações ao Oscar (incluindo melhor filme, roteiro adaptado, ator para Pitt
e ator coadjuvante para Hill), o filme brilha ao contar a história de maneira
detalhista e também explicativa (aos leigos do assunto) onde o elenco dá um
show. A dinâmica de Brad e Jonah é incrível, e ambos brilham em cena,
complementando um ao outro no jogo de cena de seus personagens. O filme ainda
conta com a participação de Phillip Seymour Hoffman como o técnico mala do
time, e de Robin Wright como a ex esposa do protagonista.
O
filme é também muito bem dirigido. Benett Miller já havia mostrado competência
em Capote,e ainda mostra o porquê é um diretor de alto nível. O roteiro dos
sempre ótimos Aaron Sorkin e Steven Zaillian também merece menção, bem como
toda parte técnica do filme, seja a fotografia de Wally Pfister (com destaque
para os planos dos estádios) à trilha sonora belíssima de Mychael Danna, o
filme é todo um capricho, se destacando em todos os âmbitos (não trata-se aqui
apenas de um filme de atores ou de bela parte técnica, ele tem todos os pontos
necessários para que um filme mereça real mérito).
Enfim,
é um dos melhores filmes do gênero, sendo técnico, preciso, mas nunca chato ou
maçante. É sim uma obra marcante, que cativa o espectador e nos mostra a cada
dia que Brad Pitt é sim um dos grandes atores de sua geração.
Nota: 8,5
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Agora em DVD,
Vivi
domingo, 27 de maio de 2012
Agora nos cinemas: Apenas uma noite
A diretora iraniana Massy Tadjedin escreveu e dirigiu esta obra que chega neste final de semana aos cinemas brasileiros, o longa, bem longe de ser uma cópia de "Closer" é na realidade uma análise muito bem feita sobre o que seria traição para homens e mulheres.
Focado em um jovem casal- Joanna (Keira Knightley) e Michael (Sam Worthington) o filme mostra a separação momentânea dos mesmos durante uma noite. Michael irá viajar para fechar um negócio...junto dele irá a bela Laura (Eva Mendes), uma sexy colega contratada há alguns meses pela empresa (coisa que Joanna só descobre 1 dia antes da viagem o que causa uma briga entre os dois). Joanna, escritora brilhante, atualmente é freelancer de uma revista, enquanto continua seu livro. Está casada com Michael há 5 anos, e o entendimento dos dois não é dos melhores. Enquanto Michael viaja com Laura, Joanna reencontra Alex (Guillaume Cannet) um antigo amor que irá convidá-la pra jantar. E durante estas 24 horas que passarão separados, Michael e Joanna viverão paralelamente um envolvimento com Laura e Alex, cada um em uma proporção diferente.
E aí é que está a genialidade da história. Pros homens o conceito de traição é diferente do que é pras mulheres. Pra nós, qualquer ato físico que ocorra com outra pessoa já uma traição, sendo que pros homens isso não é trair...mas, qualquer envolvimento AFETIVO nosso com outra pessoa é traição. Por isso que dizem que mulheres traem mais do que os homens, já que normalmente o envolvimento físico se dá também com o envolvimento emocional. Sendo assim o filme mostra um enredo digno de grandes discussões...quem realmente traiu quem? Até que ponto podemos considerar algo como traição?
E o elenco está todo muito bem: Eva Mendes sabe ser sexy, Sam Worthington bem comedido, Guillaume Cannet charmoso e claro Keira...nunca se viu a mesma tão vulnerável, séria e comedida quanto neste filme. Este personagem é um presente à ela, que o faz com maestria.
Outro ponto alto do filme é a trilha sonora estupenda de Clint Mansell, bem clássica e bela mas ao mesmo tempo racional e suave, totalmente de acordo com o propósito do filme.
Muitos reclamaram do final do longa, mas vá pensando que ele é uma reflexão sobre os relacionamentos de hoje em dia, então não espere um esclarecimento por completo da história.
De toda forma é um ótimo filme, sincero, sem rodeios, e que conta uma história que poderia estar ocorrendo com qualquer um de nós. Pra ver e pensar.
Nota: 9,0
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Agora nos Cinemas,
Vivi
sábado, 28 de abril de 2012
Agora nos cinemas: Sete dias com Marilyn
O filme ocorre num momento onde Marilyn queria provar que, acima de sua popularidade, existia o talento. E o fato é que realmente existia. Mas ela mesma não conseguia enxergar sua geniosidade, pedindo ajuda então da grandiosa Paula Strasberg para que pudesse atuar. Em contrapartida, Sir Laurence Olivier (interpretado por Kenneth Branagh, também indicado ao Oscar este ano) era o maior ator do mundo, mas não conseguia a popularidade de Marilyn, nesta época recém casada com o dramaturgo Arthur Miller. Sendo assim, Laurence convida Marilyn para protagonizar um filme dirigido e estrelado por ele, a comédia romântica "O príncipe encantado", cuja versão teatral tinha sido protagonizada por ele e sua esposa, Vivien Leigh (quem interpreta Vivien aqui é Julia Ormond). Mas o filme na realidade é a história de Marilyn com Colin Clark (vivido pelo sempre ótimo Eddie Redmayne) que sonhava em trabalhar com cinema e vira um assistente de direção do filme, e tendo grande amizade e até envolvimento com a diva durante as filmagens, bem como fica a par de toda sua confusão mental.
O longa na realidade é muito simples, desde a direção de Simon Curtis, até a parte técnica (até mesmo a trilha belíssima de Conrad Pope e Alexandre Desplat é bem suave) mas ganha muita força pelo excelente elenco, que inclui ainda Judi Dench (que faz a Dame Sybil Thorndike), Dominic Cooper (como Milton Greene), Derek Jacobi (como Sir Owen Morshead), Dougray Scott (como Arthur Miller), Toby Jones (como Arthur Jacobs) e Emma Watson.
Além disto, vale destacar que a produção de Harvey Weinstein, foi certeira ao querer desmaterializar a figura de Marilyn ao dar à Williams uma Marilyn com outra cara, onde a aceitamos por percebemos que a atriz embora não seja fisicamente parecida com a diva, capta perfeitamente o interior sombrio e instável de Marilyn.
Muito bem construído, e até merecedor de mais premiações (foi indicado apenas a 2 Oscars: melhor atriz para Williams e melhor ator coadjuvante para Branagh) é um belo filme, que através da sutileza ganha a sua força.
Nota: 9,0
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Agora nos Cinemas,
Vivi
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Videocast agora nos cinemas: Um método perigoso
Minha opinião sobre o filme "Um método perigoso".
Bjus e ótimo feriadão pra todos,
Vivi
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Agora nos Cinemas,
Videocast,
Vivi
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Videocast: Previsões Oscar 2012
Oi genteeeee, to super sumida mas tive motivo viuuuuuu, é que eu passei na primeira fase do teste da OAB e estou estudando pra segunda, se Deus quiser serei aprovada tbm...
mas achei um tempinho e fiz um video com previsões ao Oscar 2012, especialmente Figurinos, trilhas e canção.
Mil bjus,
vivi
sábado, 21 de janeiro de 2012
Agora nos Cinemas: A Separação
Nas tradições mais ortodoxas e paternalistas do islamismo, a separação de um casal não é bem vista muito menos facilitada pela sociedade. Assim, é de se destacar que Nader (Peyman Moadi, excelente) reage com notável honra e humanismo, ainda que contrariado com a decisão de sua esposa Simin (Leila Hatami). Buscando se adaptar a nova rotina, ele contrata uma empregada, Razieh (Sareh Bayat, espetacular), para que alguém possa cuidar de seu pai com Alzheimer enquanto ele se encontra no serviço, junção que moverá todas as engrenagens de uma desafiadora trama. Engana-se aquele que pensar que A Separação é um filme iraniano com a finalidade de ressaltar as diferenças da cultura islâmica perante um assunto relativamente comum no Ocidente. Indo muito além, A Separação é um excelente estudo de personagens que se desenvolve a partir de eventos, ocorrências e acidentes cotidianos que se desenvolvem geometricamente, tomando proporções inesperadas. Revelar muito mais sobre a sinopse é infeliz, especialmente porque o resumo jamais fará altura ao que espera o espectador.
Em seu primeiro filme desde A Procura de Elly, o diretor e roteirista Asghar Farhadi nos traz um pouco de ecos de Mike Nichols ou da tensão tipicamente européia quando eles resolvem desvelar o que há por trás das aparências nas relações interumanas. Contudo, o foco aqui é menos os relacionamentos desgastados, e mais a responsabilidade que tomamos quando lidamos com um próximo, seja ele quem for, e os limites que impomos àqueles que nos agridem. Construindo um filme absurdamente tenso, que prende o fôlego do espectador em todos os momentos da projeção, é gratificante ressaltar que este feito é alcançado por nada além de um texto escrito com maestria e cinco atuações marcantes – completando o trio anteriormente apresentado, temos Sarina Farhadi como filha do casal e Shahab Hosseini, interpretando Hodjat, marido de Razieh. A força texto/atuação é tão presente e palpável que não é difícil imaginar aquela encenação em algum palco, ainda que o roteiro tenha sido escrito diretamente para o filme.
Contudo, evidentemente a narrativa é contextualizada por uma cultura específica, e alguns momentos cruciais do filme são desenvolvidos levando-se em consideração tais especificidades (digam-me, em qual cultura ocidental existe tamanha devoção honesta a uma escrita sagrada capaz de se impor num momento de impasse ético decisivo como o que ocorre nos momentos finais do filme?), mas ainda assim, isso parece pouco importar ao filme. Não é a distância que se busca, ao contrário, é a comunhão: islâmicos ou não, todos os personagens parecem nos questionar incessantemente quais seriam nossas atitudes em suas peles. Lidando com assuntos relativamente sensíveis, é louvável que o filme em momento nenhum se renda a algum maniqueísmo desinteressante ou incoerente com o restante de seu conteúdo: ao contrário, os caminhos percorridos por cada personagem mostram-se amplamente complexos, e corrói o expectador com a dúvida, em todos os momentos (algo que, aparentemente, John Patrick Shanley tentou sem sucesso com seu Dúvida).
Fincando-se como o atual favorito ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira (e este troféu só não será seu caso uma surpresa muito desagradável ocorra), o filme sofre sim nas mãos de um bairrismo hollywoodiano. Em um mundo justo, o filme seria tranquilamente indicado nas categorias de melhor roteiro original, melhor ator (Moadi), melhor atriz (Bayat) e melhor ator coadjuvante (Hosseini). Já que tal mundo não existe, espero que suas múltiplas indicações e vitórias em prêmios de destaque internacional (iniciado no sucesso absoluto durante o Festival Internacional de Berlim, em 2011) sirva para que, ao menos, o filme alcance um público maior do que o previsto. Também não posso deixar de me queixar sobre o fato que toda publicidade do filme destaca excessivamente Simin (Hatami), sendo que esta é a personagem menos interessante do quinteto.
Nota: 10,0.
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Agora nos Cinemas,
Tiago
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Agora nos Cinemas: Cavalo de Guerra
Coube ao homem urbano atual, no lugar de alguma opção melhor para o destino de seu afeto, ser fielmente apegado aos animais mais caros e próximos, aqueles que nos obedecem, gracejam e amam cotidianamente. Com isso, inúmeros filmes exploram este profundo sentimento humano com seus filmes sobre baleias, cachorros, golfinhos, e sinto falta de uma calorosa e incompreendida jibóia nesta lista. Reza lenda que este sentimento está fincado em nosso passado, remoto ou não, da relação dos índios, egípcios, romanos e a natureza. E muito provavelmente no homem rural, que tinha seu labor apoiado em seus fiéis companheiros, como os cavalos. Pois bem, Cavalo de Guerra é a declaração de amor do Spielberg pelas fazendas que tem ou deveria ter.
Baseado em uma peça teatral (não, não estamos falando de Equus), o filme gira em torno de Albert (o inexpressivo e sem carisma algum Jeremy Irvine) e sua amizade com Joey, um cavalo comprado por seu pai a altos custos, desde potro, para ajudar com os afazeres de uma fazenda que ruma à falência. Por motivos alheios à vontade do garoto, o cavalo é vendido a um oficial do exército inglês durante a primeira guerra mundial, e o que vemos, em seguida, é a busca deste apaixonado pelo objeto de seu desejo. Talvez alguns percebam aí um filme sobre amor ou amizade.
Há outros que, por outro lado, se questionam na cadeira do cinema os motivos que levaram a seqüência de Austrália não ter nem Nicole Kidman nem Hugh Jackman no elenco. Comparação esdrúxula por comparação esdrúxula, não me parece errôneo o comentário que relacione o caráter episódico de Cavalo de Guerra com o mesmo estilo adotado em Cold Mountain, contudo, se no filme de Minghella as tramas agregadas acrescentavam um mínimo de impacto à narrativa (não se esqueçam que com pouco mais de dez minutos em cena, Natalie Portman era o verdadeiro destaque do filme), no filme de Spielberg, cada novo episódio parece mais sem razão de ser do que o anterior. Contudo, apesar da falha estrutural, o filme esconde sua longuíssima duração em doses equilibradas de melodrama e momentos verdadeiramente interessantes.
A saber, a divisão é muito simples: tudo que envolve os humanos (exceto, talvez, a família de Albert, com tocantes interpretações de Peter Mullan e Emily Watson) é extremamente enfadonho e apelativo – ainda que tenha um ou outro momento interessante (como os eventos em um moinho). Já tudo aquilo que envolve o cavalo é simplesmente arrebatador. Spielberg foi um excelente e inenarrável diretor de elenco com seu animal (provavelmente interpretado por mais de um, e alguns digitais) – não há cena de Joey que não nos provoque alguma reação ou emoção, e o equino sustenta com classe e honra o filme. Hábil diretor de cenas de guerra (contudo, registra-se que nem mesmo em Soldado Ryan Spielberg sobre dosar corretamente guerra e tédio), os momentos de batalha são mais maquiados (sendo um filme família, evita-se o sangue a qualquer custo), mas ainda assim tensos e convincentes. Desta maneira, o momento mais marcante da película é na loucura de Joey, quando este foge por trincheiras em determinado momento (ignorando-se as conseqüências supérfluas da cena, há de se concordar que nenhum ser humano é passível de assisti-la sem reação alguma).
Contudo, Spielberg está invariavelmente deslocado no tempo, assim como brega e apelativo. Se não nos bastasse a vergonha alheia por um inexplicável leilão nos encerramentos da narrativa, como então encarar as fotografias finais sem imaginar Albert arrancando um pedaço de cenoura da terra e entregando ao cavalo enquanto diz “Jamais passaremos fome de novo”?
Deseja-se que a biografia de Lincoln, atual pré-favorito ao Oscar 2013, tenha destino melhor.
Nota: 5,0.
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Tiago
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Agora nos Cinemas: Precisamos falar sobre o Kevin
Eva Katchadourian é uma mulher claramente em desespero. Morando em uma casa desestruturada, encarando sua depressão com álcool e pílulas e aceitando um subemprego ante a sua grande capacidade, ela vive soterrada pelo labirinto emocional da culpa. Perseguida pela população de sua cidade, que a agride fisicamente e vandaliza sua casa, Eva é a mãe de um atirador que matou seus colegas de colegial – Kevin. Não se preocupem sobre algum possível spoiler, estes são apenas os dez minutos iniciais da projeção.
Não conheço a obra original de Lionel Shriver, apenas tenho a intuição de se tratar de uma obra alternativa de boa qualidade, pelo estilo de meus poucos amigos que comentaram enfaticamente sobre o livro. Também fiquei sabendo que a estrutura do livro é através de cartas através da qual a mãe tenta expurgar suas dores e culpas. Já a diretora Linney Ramsey aposta em diferente estrutura: vemos cortes abruptos entre o presente da mãe e sua dificuldade em voltar a fazer parte do mundo no qual sempre viveu, e o passado de uma família, desde os pais se conhecendo, até o desenvolvimento infantojuvenil de Kevin e sua pequena irmã. Já devo deixar claro o elogio às escolhas estilísticas da diretora – ainda que nada sutis, o abuso da cor vermelha e da sobreposição entre mãe e filho em alguns momentos, além de inúmeros jogos de luzes e perda de focos faz com que o filme nos perturbe gradativamente. Sua arriscada opção por nos entregar aspectos do clímax violento que chegará no final da projeção também se mostra acertada, apesar de ousada: mesmo sabendo o que aconteceu, ficamos atônitos ante as imagens (nem tão gráficas) que surgirão.
A divisão estrutural da narrativa também já permite o link com a principal qualidade do filme: Tilda Swinton tem aqui o ponto mais alto e sua carreira. Atriz que nunca me conquistou por completo (apesar de ser apaixonado por sua participação em Queime Depois de Ler – junto com todo este elenco) consegue com este filme a proeza de nos deixar sem conseguirmos imaginar quem pudesse fazer o papel de Eva se não ela. Seu rosto magnético ainda que estranho é tão essencial ao filme quanto sua desorientação e enganadora frieza agregadas ao papel com maestria.
Contudo, quando chegamos a Kevin, o filme começa aos poucos a perder sua força. Não por falta de talento do elenco – tanto Ezra Miller (adolescente) quanto Rock Duer (mais ou menos 3 anos) defendem seu personagem de maneira extremamente competente, mas ainda assim Jasper Newell (6-8 anos) consegue se sobrepor aos anteriores. Contudo, o que sobra de elenco, falta de conteúdo. Peço desculpas sobre o trocadilho, mas o filme não nos diz nada sobre Kevin, e este não passa da encarnação demoníaca da perversidade natural. Este ponto do filme – crucial para a apreciação do mesmo – é tão inconseqüente que não foram poucas as vezes que tive a impressão de estar assistindo a “O Anjo Malvado” (The Good Son, 1993) em uma versão para adultos sádicos. Seus motivos, angústias e dores nunca transparecem na tela, e o personagem não é nada além do ódio inexplicável estampado em seu rosto desde muito pequeno. O extermínio em massa nas escolas é um problema endêmico – e, até o início da década passada, exclusivo – à sociedade norteamericana, contudo o filme em momento algum se pretende a alguma discussão social sobre o tema.
Por fim, é válido ressaltar que apesar de não ser tão bom quanto alguns críticos disseram, o filme é mesmo tão perturbador e repelente quanto dizem. Fazendo questão de ser cruel em cada detalhe, sobrou para a leveza Franklin (John C. Reily, o pai) soar como uma distância facilitada pela cegueira, e a doçura de Celia (Ashley Gerasimovich, a irmã caçula) ser dilacerada pelos momentos mais incômodos do filme. E diante de tantas indisposições, não deixa de ser importante comentar que mesmo uma resposta inesperada dada em uma comemoração de fim de ano consegue ter o poder de se fincar como um dos momentos mais repulsivos da projeção.
Sugerindo um desfecho que deixará os mais imediatistas revoltados e os interpretativos um tanto desnorteados, Precisamos falar sobre o Kevin é um filme que dificilmente conseguirá adoração de um grande público, contudo, apesar de seus incômodos defeitos, merece ser reconhecido pelo excesso de coragem em sua crueza e estilo.
Nota: 6,5
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Tiago
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