quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mega Preview Especial: Nine


Pois é, as indicações do Satelitte, do NBR, e tantas listas de críticos dos EUA deram a largada oficial à corrida ao Ouro 2010. O Cinefilando, como já disse anteriormente, fará cobertura de tudo na medida do possível, inclusive terça que vem terá as indicações ao Globo de Ouro. Junto com isso, claro, um dos filmes que está se tornando um dos assuntos do ano - por bem ou por mal.


Nine é a nova adaptação cinematográfica para um musical da Broadway feita pelo diretor Rob Marshall, responsável pelo premiado e oscarizado Chicago. No elenco, nada menos do que 7 Oscars e muito mais que uma dúzia de indicações quando juntamos os nomes Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Sophia Loren, Judi Dench, Kate Hudson e uma inesperada participação (elogiada) de Stacy Ferguson - a - neste filme sedutoramente corpulenta - Fergie, do grupo Black Eyed Peas. Mas, obviamente, tudo isso vocês já sabiam.

Neste elenco de ouro, localizando quem é quem: Guido Contini (Daniel Day-Lewis) é um diretor de cinema atormentado com seu novo filme. Nessas tormentas, é recordado que a primeira vez que ele entrou em contato com o universo feminino foi com Saraghine (Fergie), uma prostituta italiana, aos nove anos. Não entendendo as mulheres desde então, esta é a idade que sua maturidade atingiu (daí o título Nine), sob a super proteção de sua mãe (Sophia Loren). Hoje é casado com Louisa (Marion Cotillard), sua ressentida esposa que sabe ser abandonada, seja por causa dos filmes ou de outras mulheres. Claudia (Nicole Kidman) é sua musa extrema, estrela de seus filmes, que se envolve de maneira inesperada com o diretor. Também trabalha em seus filmes Lilane (Judi Dench), sua figurinista. Carla (Penélope Cruz) é sua amante, um tanto sem classe; e, por fim, Stephanie (Kate Hudson) é uma jornalista de moda admiradora do diretor.



Muitos devem saber minha paixão por musicais, e minha admiração profunda para quem tenta tocar neste desafio nos dias atuais. Sim, Moulin Rouge, Chicago, e por que não Dançando no Escuro (ah... já sei porque não: von Trier não é Hollywood) abriram as portas, anos atrás. Mas os musicais não tem o apelo comercial e muitas vezes também não tem o apelo dramático para serem filmes fáceis de realizarem. Mas parece que adaptar obras da Broadway está em alta. Nesta década, Nine é curiosamente o décimo filme da safra, sendo que alguns foram grandes sucesso de bilheteria (Mamma Mia! bateu Titanic em vendas de ingresso no Reino Unido, e foi um dos dvds mais vendidos do ano passado), outros conquistaram novos públicos, como os adolescentes que amaram Hairspray. Alguns misturaram seu estilo original com o estilo autoral de alguns diretores - vide o que Tim Burton fez com Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Um foi um sucesso nas premiações - Chicago. E alguns tantos ficaram no meio do caminho exclusivo ao público que lhe convém (Os Produtores, O Fantasma da Ópera, Dreamgirls, Rent! - Os Boêmios). Se você está cansado desta safra, sugiro que não vá ao cinema vê-los, pois não pára por aí. Já anunciaram a realização de Miss Saigon, Spring Awakening, Follies, Company, um distante mas confirmado Wicked e as fofocas sempre nebulosas em torno de Sunset Boulevard e Les Miserables.


Mas, falando de Nine, ele é um musical que estreou em 1982 na Broadway, cujo texto é responsabilidade de Arthur Kopit e Mario Fratti, músicas e letras de Maury Yeston, inspirado no filme 8 1/2 de Federico Fellini. Esta última informação é que normalmente dá arrepio nos outros, porém esta não é aprimeira obra de Fellini a resultar num musical da Broadway: Sweet Charity foi inspirado em Noites de Cabíria, virou peça e posteriormente filme dirigido pelo gênio Bob Fosse (em um de seus trabalhos mais fracos, assumo).


Para quem não sabe, tanto 8 1/2 quanto Nine narram um momento específico na vida de Guido Contini (Marcelo Mastroianni no filme de Fellini, Raul Julia na versão de 82, Antonio Banderas na de 2003 e Daniel Day-Lewis no filme), diretor de cinema em colapso criativo que não consegue fazer seu filme. Neste contexto, há a o vai-e-vêm emocional e imaginativo acerca das mulheres de sua vida, sua mãe, sua amante, sua musa, sua mulher, sua confidente, e claro, a prostituta de sua infância. Nesta versão de Rob Marshall, o roteiro ficou a cargo de Michael Kopit e do recentemente falecido Anthony Mighella, diretor dos premiados O Paciente Inglês e Cold Mountain.

Sobre a playlist do filme, todas as canções estão disponíveis no site oficial. No filme as músicas aparecerão na ordem abaixo citada, no cd está previsto ainda uma faixa com o remix de Cinema Italiano, uma nova versão de Unusual Way e uma nova canção de Fergie para o filme.

Overture - Elenco
Guido's Song - Daniel Day-Lewis
A Call from the Vatican - Penélope Cruz
Follies Bergères - Judi Dench
Be Italian - Fergie
My Husband Makes Movies - Marion Cotillard
Cinema Italiano - Kate Hudson
Guarda la Luna - Sophia Loren
Unusual Way - Nicole Kidman
Take it All - Marion Cotillard
I Can't Make this Movie - Daniel Day-Lewis
Finale - Elenco


Lamento informar, mas a peça original, apesar de interessante, é pouco memorável. Há algumas boas canções - mas há tantas outras insuportáveis. Isso parecia contar contra o filme. Engano. Rob Marshall simplesmente cortou mais da metade da peça, deixando apenas 8 canções de um total de 19. Cortou inclusive a música-título do musical. É claro que isso condiz com o estilo do diretor, de fazer musicais mais curtos - que não afastam o grande público. Estamos falando da mente por trás de um filme Chicago que cortou canções como Class, Me and My Baby, I'm My Own Best Friend, fazendo do filme um sucesso alcançável ao público e aos críticos. Ao meu ver, Chicago, o filme, é excelente, mas apenas uma amostra daquilo que o musical é de verdade. Por outro lado, realmente acho que várias canções de Nine mereceram o fim que tiveram. Inclusive a canção-título. Saem tantas, entram 3: Take it All, uma nova canção para Louisa (Marion Cotillard0), mulher de Guido, que resultou num dos momentos mais elogiados do filme. Outra nova canção é Cinema Italiano, para Stephanie, personagem de Kate Hudson, numa vibe um pouco mais pop. Por fim, Guarda la Luna é uma canção de ninar cantada pela Mamma Sophia Loren.



O filme já fez exibições para os votantes de diversas premiações. Recebeu aplausos calorosos da Hollywood Foreign Press Association, dos sócios do sindicato dos atores e do sindicato dos diretores de Hollywood. Após isso o filme recebeu algumas críticas negativas - que furaram o embargo imposto pela Weinstein Co. que exigiu aos críticos que publicassem textos apenas a partir do dia 15 de Dezembro, quando teremos noção de como a crítica o recebeu de fato. E agora o filme começou passando em branco nas listas de melhores do ano dos críticos ao redor do mundo. Parece que num ano pós-crise, filmes mais sóbrios e baratos como Precious, The Hurt Locker, Up in the Air e An Education foram melhores recebidos. Emannuel Lévy já levantou a bola: o filme será bem recebido por um público específico, acostumado com outras linguagens e com o material original.

Mas nunca se sabe. O que garanto é que Nine deve ter considerável sucesso no Globo de Ouro, e nas categorias técnicas do Oscar. Como vocês viram pelas fotos, a beleza plástica do filme é indiscutível.


Volto a falar dele em janeiro, com uma crítica - e torço, de coração, para que ela seja positiva. Grandes expectativas podem trazer grandes sustos, eu sei, mas prefiro ficar na torcida.

Se se interessarem, o site oficial contém trailers e todas as faixas do filme para serem ouvidas:


E há no Orkut uma comunidade sobre o filme que sim, sou o dono rs... Mas o pessoal que lá conversa é muito interessante e educado. Com atualizações constantes:


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Agora nos Cinemas: Os Abraços Partidos


Eu tenho uma relação meio estranha com Almodóvar: apesar de ser indiscutivelmente fã de seus textos - achando que esta é sempre a melhor parte em seus filmes; eu sempre tive dificuldades com ele como diretor. Algumas de suas características principais e mais fortes, tidas como 'assinaturas' normalmente me desagradam, como a sensação de que seus filmes são sempre invasivos, a trilha sonora sempre forte, invasiva e impertinente. Outra coisa curiosa é que alguns de seus filmes mais elogiados (Tudo Sobre Minha Mãe, Volver) não me agradam tanto quanto alguns que são mais rejeitados pela crítica (Má Educação, principalmente). Mas concordo que, de fato, Fale com Ela é sua obra-prima. Foi assim que acreditei que gostaria muito deste novo Os Abraços Partidos, por ele ter sido um tanto mal recebido. Engano meu, o filme fez por merecer a recepção fria.

No entanto, preciso ressaltar que a má qualidade neste filme encontra-se justamente no seu texto, que se perde e se torna extremamente pobre em determinado momento - enquanto que, como diretor, Almodóvar mostra aqui um de seus melhores momentos. Estranho, não? Ele opta por uma direção mais sutil, que constrói belas imagens e diversos ótimos momentos, como a cena bem difundida pelo trailer na qual Lena (Penélope Cruz) narra uma cena para Ernesto (José Luis Gomes), e a cena final. No entanto, a trama que começa de maneira boba se conduz de maneira interessante, fazendo diversas referências e homenagens à arte de se fazer um filme. O enredo gira em torno de Harry Caine (Lluís Homar), um ex-diretor de cinema que após um grave acidente fica cego. É ele quem narra seu romance com Lena, ex garota de programa e mulher de um poderoso empresário, anos antes. O triângulo amoroso não é tão interessante quanto os momentos metalinguísticos.

No entanto, de maneira assustadora, Almodóvar se perde por completo no terceiro ato de seu filme, tornando seu texto não apenas insosso, mas completamente pobre e vexatório. Sem revelar muito da trama, há uma cena que se passa em um restaurante, uma conversa entre Harry, Diego (Tamar Novas, uma agradável descoberta) e Judit (Blanca Portillo) tão desnecessária e tão ruim, na qual tudo que já era óbvio na trama é revelado, se desdobrando ainda em uma conversa no dia seguinte entre Diego e Judit mais vergonhosa que a anterior. Diria que foi digno de Manoel Carlos alguns momentos. Isso, num filme vindo de uma das cabeças mais originais do cinema atual é inaceitável.

O elenco está bem, quem se destaca é mesmo Penélope Cruz, mas que também não justifica nenhuma comoção maior. Tamar Novas é agradável, Blanca Portillo está um pouco over (mas talvez isso se deva muito mais ao roteiro do que a sua atuação). Lluis Homar e José Luis Gomes é o que o filme tem de melhor, depois de Penélope. A fotografia do filme é belíssima, acho que uma das melhores do Almodóvar.

De resto é um filme decepcionante, mas não verdadeiramente ruim - afinal, ser um dos mais fracos de Almodóvar não quer dizer muito. Há diversos bons momentos espalhados pelo filme, mas que num geral não se sustenta. Agora é esperar pelo próximo do diretor.

Nota: 6,0

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Agora em dvd: Amantes

Hoje o cinema está cheio de romances melosos e sem formula, que deixam o espectador sem animo devida a falta de empatia nas histórias contadas. “Amantes” novo filme de James Gray é uma luz no fim do túnel em termos de criatividade, e com um bom elenco, nos traz uma historia inteligente Que remete à celebre frase “Não troque o certo pelo duvidoso”.
O filme começa com o personagem principal Leonard (Joaquin Phoenix, fantástico) tentando o suicídio mais uma vez, desta vez tentando se afogar (mas ele desiste). Chegando em casa, Leonard, o qual descobrimos que é Bipolar, encontra sua mãe (que é interpretada por Isabela Rosselini) que pede que ele se arrume pois os Cohen, amigos da família estão chegando para jantar. No jantar ele conhece Sandra (Vinessa Shaw) jovem que se interessa por ele instantaneamente, embora ele não demonstre tanto interesse por ela. Um pouco depois de conhecer Sandra, ele conhece sua vizinha Michelle (Gwineth Paltrow) que é Hiperativa, e logo já se vê envolvido pela mesma que é problemática e tem caso com um advogado. Assim, Leonard se vê confuso com a entrada de duas mulheres completamente diferentes em sua vida, se auto transformando e descobrindo a força que ele terá de ter para ultrapassar um amor não correspondido, a perda e a redenção.
É inquestionável o grande roteiro escrito por James Gray (“Os donos da noite”) onde ele consegue elaborar aquele que talvez seja o melhor filme de sua carreira até agora. Ambos os três protagonistas são personagens complexos, onde enxergamos desde a sensibilidade de Sandra, até a confusão mental de Michelle, passando pela dor interior de Leonard. É um filme triste, bem feito, e com a capacidade incrível de tocar quem o assiste, onde uma história de amor ( na verdade duas) pode comover de modo sincero sem precisar utilizar-se de clichês para isso.
Grande filme, um dos melhores do ano, que por sua bela história não pode, e nem deve, ser esquecido.


Nota: 8,0

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Do Começo ao Fim


Bom, devo admitir de imediato de que o filme não é fácil nem óbvio em seus questionamentos, e que escrevo agora sem ter muito tempo para pensar sobre. Do Começo ao Fim vem causando polêmica desde o meio do ano, quando seu trailer caiu na net: um filme nacional sobre o relacionamento gay e incestuoso entre dois meio-irmãos. Fácil? Quase nada.

Aluisio Abranches foi extremamente corajoso em sua abordagem, faz dela algo muito natural e óbvio. Seu filme não escandaliza, sequer gasta tempo tentando explicar ou justificar o comportamento dos envolvidos. Ele mostra os eventos como sucessão corriqueira do cotidiano de um casal que se descobre, se apaixona - dando muito mais espaço para discutir o ciúmes e a distância do que a polêmica que ele está propondo. Esta é, inclusive, a principal crítica que a imprensa fez ao filme até agora - sem realizarem de que isto não é só intencional, como uma quase posição política do filme diante seu assunto. No entanto, o mesmo já não pode se esperar da platéia.

Ao tomar esta posição, o roteiro não questiona exatamente o que você acha daquilo, mas uma vez dado os fatos, ele questiona 'por que não?'. Inclusive faz algumas escolhas que parece facilitar a trama, mas ao contrário, eram essenciais para seu desenvolvimento (como uma morte que acontecerá). Algumas pessoas abandonaram a sala do cinema, provavelmente com nojo deste questionamento. Por outro lado, o público gay acatou o filme com heroicidade, por ser um romance gay - algo muito escasso no cinema global, no nacional então nem se fala. No entanto, desta maneira, ligaram um tremendo 'foda-se' para a questão do incesto - o que também não é o essencial que o filme pede. De fato, sem a questão do incesto, Aluisio teria feito um bonito romance gay - mas sem conflito nem razão de ser algum.

Queria deixar claro, não sei exatamente por que, que também não consegui acatar tudo que o filme propunha. Toda aquela naturalidade me soou muito estranha, e sim, o incesto é um tabu que também me prende... No entanto, não sei explicar a razão, não sei o que responder ao filme.

A parte de seus questionamentos, o filme é muito bem realizado, dirigido, e fotografado (por Ueli Steiger). Sua montagem deixa a desejar, o abuso da tela preta entre as cenas irrita. Destaco também a belíssima trilha sonora, apesar de repetitiva. Ainda não descobri, mas creio que é uma faixa do Yann Tiersen (que a Vivi bem observou). Seja como for, apesar de não ser original, foi muito bem utilizada. Os atores estão no geral bem, Júlia Lemmertz (que pensou muito se faria o filme ou não, por também não ter certo nela o que pensava sobre o assunto) se destaca como a mãe das crianças, assim como Lucas Cotrin (que faz Francisco, o filho mais velho, adulto) e João Gabriel Vasconcellos (Francisco criança) estão muito bem. O elo mais fraco fica justamente com os dois atores que interpretam o caçula Antônio, Rafael Cardoso na infância e Gabriel Kaufmann na fase adulta.

É um filme polêmico e sua polêmica provavelmente nunca cessará. Misturar incesto com um relacionamento gay é mexer com coisas demais de uma única vez. As reações provavelmente serão confusas - e isso, ao meu ver, não deixa de ser um dos méritos do filme.

Nota: 7,0

Agora nos Cinemas: Atividade Paranormal


É engraçado que eu me vi obrigado a abrir as críticas de Cloverfield e REC falando sobre o filme A Bruxa de Blair. Agora me vejo obrigado a citá-lo novamente. Principalmente pelo fato de que ele é o responsável pela invenção destes falsos documentários de terror filmado em primeira pessoa. Lá em 1999, A Bruxa de Blair teve uma publicidade tal que muitas pessoas acreditaram que a fita era verídica, e que de fato aquelas três pessoas morreram. Isso foi impossível pelos dois sucessores que citei, especialmente pelo caráter fantasioso de ambos (um monstro no primeiro, zumbis no segundo). Atividade Paranormal segue a receita, mas é o primeiro que retoma por completo o estilo de Blair: contando uma trama absurdamente simples, que se passa entre quatro paredes, o filme de baixíssimo orçamento tentou ser vendido como verídico. Mas agora estávamos vacinados pelo tipo de publicidade.

No entanto, se isso é uma qualidade, quase todo o resto do filme é marcado por defeitos profundos. Sua trama é sobre um casal que sofre assombrações todas as noites (barulhos, móveis se mexendo) enquanto dormem, e resolvem comprar uma câmera filmadora para registrar os eventos. A premissa até é interessante, mas o roteiro é absurdamente ruim. Surgem brigas de casais, um especialista em assombração, enfim, todo o drama parece estar deslocado.

Os momentos de tensão até que são bem construídos, mas convenhamos, uma porta se mexendo sozinha não é o ápice de assustador que um público em pleno fim de 2009 pode aguentar. Os momentos tensos ficam escassos, simples e dão lugar a contínuos e sinceros bocejos. Tudo bem, eu poderia estar simplesmente descrevendo um filme de terror que não deu certo. Fico assustado, de fato, por estar falando de um dos filmes que mais recebeu atenção neste ano nos EUA: bem recebido pela crítica e pelo público, e considerado por Steven Spielberg (que raramente faz este tipo de publicidade para terceiros) como um dos filmes mais assustadores que ele já viu. Apesar de ser mais estúpido, aposto que qualquer Pânico da vida assusta mais que este Paranormal.

Uma pena que novamente passamos o Halloween em branco (Jogos Mortais VI até é melhor que o V, mas também não empolga). De todo o filme eu invejava sinceramente o casal, que pelo menos tinha uma cama a disposição para resolver tantos bocejos.

Nota: 4,0

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Julie & Julia e Lua Nova

Vou fazer hoje um agora nos cinemas duplo, pelo fato de que só hoje tive tempo de sentar e escrever (na verdade não tenho tempo, mas não posso deixar de escrever sobre estes dois filmes aqui). Então começarei falando de Julie & Julia:






Primeiramente devo salientar que Norah Ephron é antes de qualquer coisa uma roteirista- a sua direção nos filmes é mera consequencia de seus escritos. A roteirista/diretora, escreveu duas das principais comédias romanticas de todos os tempos (Hally e Sally feitos um para o outro, e Sintonia de Amor), mas parecia ultimamente ter perdido a mão (como o apenas satisfatório "A feiticeira") e agora parece ter reencontrado sua luz em um dos filmes mais deliciosos do ano- "Julie & Julia" baseado em dois best-sellers- "Julie & Julia" de Julie Powel e "Minha vida em Paris" de Julia Child. E talvez seja este o unico defeito do filme, por adaptar duas histórias paralelas o qual parecem ser dois filmes diferentes, tornando-se um pouco confuso o vai e volta da história.


A história começa mostrando duas chegadas: à de Julia Child na França e a de Julie Powell para o Queens- ambas procuram um proposito para suas vidas e ambas a encontram na culinária (enquanto Julie se baseia em um livro de Julia para escrever um blog e fazer receitas, Julia na antiga paris enfrenta os franceses e estuda a culinária de lá). Ambas tem um marido compreensivo e ambas enfrentam obstáculos- e tudo isso claro, com muita manteiga e delicias (ja que provavelmente no meio da sessão você terá de pegar mais pipoca com muita manteiga para saciar a vontade). Mas ambas as personagens acabam tendo pouca conexão...o que não prejudica na atuação das mesmas. Amy é a mesma doçura de sempre (embora eu pense que ela poderia ter se esforçado um pouco mais) mas é Meryl que, como disse minha mãe, é o leão da história e mostra o quão é poderosa (e porque é a atriz que o mundo ama tanto): ela muda o tom de voz, a postura, o jeito- tudo isso para lembrar Julia Child e nos entregar uma atuação fantastica.


Na parte técnica, Desplat como sempre ótimo nas trilhas e Ann Roth se destaca nos figurinos de Julia. Sobre a direção de Ephron, está boa, assim como seu roteiro, que não prejudica a pelicula.


Um bom filme que merece ser visto e degustado. E viva Meryl Streep!

Nota: 8,0


Agora vamos falar do ame ou odeie mais popular da atualidade: Lua Nova, a segundfa parte da saga Crepusculo chegou chegando nas bilheterias (no primeiro final de semana faturou r$ 270 milhões no mundo), e foi arrasado pela critica (sua nota no imdb é 4.5), no final das contas uma sacanagem se formos analisar que o filme é bem melhor que a primeira parte da saga- "Crepusculo". Aqui temos um filme com cara de arrasa quarteirão, onde há participações de luxo do porte de Michael Sheen, Graham Greene e Dakota Fanning, produção que conta com nomes como Alexandre Desplat e Javier Aguirressarobe e a direção de Chris Weitz (que falem o que falem dirigiu e roteirizou o incrivel "Um grande garoto", que lhe valeu uma indicação ao Oscar) que deu uma guinada no filme em termos gerais, desde a estética até o conteúdo.

O problema do filme é, temos que admitir, os atores. Eu juro que não entendo como Robert Pattinson, um ator que mostrou tamanha desenvoltura como Salvador Dali em "Little Ashes", como atuar de modo tão morno assim como Edward Cullen! E Kristen Stewart? Menina bacana, que esse ano nos deu de presente a querida Em Lewin de "Adventureland- férias frustradas de verão" pode ser tão apática ao ponto de não conseguir demonstrar toda a frustração de Bella ao perder Edward! No final das contas, sobra para Taylor Lautner um papel mais digno, onde mesmo muito jovem, ele tenta trazer para si o melhor de Jacob Black.

No final das contas, o grande destaque do filme que é bom (mas não tão bom) é a trilha sonora que eu já comentei por aqui (o ápice da qualidade de Desplat) que mostra o porque dele ser o grande compositor do momento.

Para os cinéfilos que viram o nariz o filme serve pelo menos para degustar o score de Desplat. Para os fãs da saga, uma adaptação muito mais digna que a do primeiro filme. Resta-nos então esperar Eclipse.

Nota: 7,0


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cinema Musical: A belissima trilha de "Lua Nova"


Antes de qualquer coisa, para aqueles que não conhecem o trabalho de Alexandre Desplat (o que é muito difícil, já que estamos falando do compositor mais requisitado do momento), Desplat é um compositor francês magnífico, que já regeu orquestras de porte como a Berlin Philarmonic Orchestra e London Philarmonic Orchestra (sendo esta a que ele geralmente trabalha em seus filmes), tem duas indicações ao Oscar (por A Rainha e O Curioso Caso de Benjamin Button), ganhou um Globo de Ouro (pela trilha sublime de O Despertar de uma Paixão) e é o grande queridinho de Hollywood no momento, sendo que só em 2009 foram sete scores (Cheri, Julie & Julia, Coco Antes de Chanel, A Arma do Crime, Um Profeta, O Fantástico Sr. Raposo e Lua Nova).
Para aqueles que já o conhecem, sabem que seus trabalhos são sempre de extrema qualidade, e que nos últimos cinco anos não houve um score seu que não fosse no mínimo ótimo. Então os fãs da saga Crepúsculo, podem se acalmar- além da trilha do filme ter ficado em excelentes mãos, temos aqui o trabalho de um mago digno de Oscar (o que sabemos que não irá ocorrer já que outros de seus scores tem mais buzz perante a academia, até pelo fato de Lua Nova ser um filme massacrado pelos críticos), mas que, acima de tudo, consegue transmitir todas as emoções do filme de modo assustadoramente perfeito. Os fãs já tinham tido um gostinho do score quando saiu o soundtrack com as canções do filme em outubro. A faixa contida naquele CD, “New Moon- The Meadow”, trazia o tema do filme ao piano, e encantou meio mundo.
É com essa melodia, que lembra o estilo nostálgico e romântico de Francis Lai em Love Story e o dinamismo de Maurice Jarre, que a trilha começa, onde “New Moon” é sem sombra de dúvidas uma melodia que já se tornou um sucesso mundial (pela primeira vez em anos um score está vendendo tanto, “New Moon - The Score” será lançado dia 24 d novembro mas na pré venda já bateu recordes, assim como o filme que em três dias arrecadou mais de R$ 140 milhões de dólares nos EUA). A segunda faixa, “Bella Dreams”, é tensa e fecha exatamente com o clima do sonho de Bella que inicia o livro, e consequentemente o filme. “Romeo & Juliet” é outra faixa de destaque, romântica, doce, que no filme é empregada de modo bem discreto e suave (quem não conhece a trilha pode pensar até que trata-se de uma faixa do score de Nino Rota para Romeu e Julieta) mas é o toque de Desplat que mais uma vez faz a diferença em uma cena tão delicada. “Volturi Waltz” é outra excelente faixa, com ares de suspense, com o uso do oboé e de cellos, que trazem uma atmosfera assustadora e atrativa. “Blood Sample” é feita na medida exata para um dos momentos mais tensos do filme, o estilo desta faixa lembra-me outra trilha de Desplat, Inquietudes. “Edward Leaves” tem a melodia principal do longa de modo mais fragmentado, com a nostalgia do piano combinado à orquestra. Já em “Werewolves” é muito interessante notar que Desplat utilizou outra melodia sua para compor a base desta faixa - trata-se de “Kitty's Theme” do filme O Despertar de uma Paixão, inserida aqui de modo muito suave e crucial, adequando-se perfeitamente ao clima dos lobisomens.
Algumas outras faixas de destaque (todas elas são ótimas, diga-se de passagem) são “I Need You”, “Break Up” , “Victoria” , “Almost a Kiss” e principalmente “Adrenaline”, a belíssima faixa que reconstrói a melodia de “The Meadow”, de forma tão doce que os corações mais frágeis e apaixonados vão se encantar por esta faixa - principalmente as fãs jovens e sonhadoras que gostariam de ser Bella Swan. “Dreamcatcher” também é belíssima, e tem um ar meio oriental, com uma melodia que poderia se encaixar em outro filme no qual Desplat trabalhou (lembrando que esta melodia não tem nada a ver com o filme o qual citarei, na verdade ela só se encaixaria muito bem neste filme) - Desejo e Perigo de Ang Lee, o qual trata-se também de uma historia de amor, suspense e perdas. “To Volterra” é adrenalina pura - tensa, forte, soberba, altiva, ela traz todas as emoções do longa ao mesmo tempo que este ocorre, sendo cativante, obscura e bela. “You Are Alive” também é excelente, épica e romântica (tendo de fundo suaves notas do score que Carter Burwell fez para o primeiro filme da saga). Passando pela ótima melodia de “The Volturi”, “The Cullens” e “Marry Me Bella” (esta reprisando com a orquestra a melodia de “Dreamcatcher”) chegamos ao final do score com “Full Moon”, quase idêntica à “New Moon” com a orquestra a todo vapor e uma melodia que gruda na cabeça, que traz os scores novamente à popularidade com o público de um filme. Finalmente, a conclusão que chegamos é que esta trilha original não precisa de um Oscar para ser considerada uma obra-prima, e, mesmo que você não goste do filme, não deixe de ouvir um dos trabalhos mais inspirados do melhor compositor do Cinema da atualidade. Se antes Desplat era ouvido por poucos, agora, finalmente, alcançou o status de um gênio - a popularidade, tão sonhada por muitos, de um compositor que tem alma, humildade, inteligência e muito, mas muito talento.
Nota: 10,0
p.s: E daqui a pouco, sai o cine review de "Lua Nova":)

sábado, 21 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: 2012


Acho que um dos pontos mais divertidos (e, devo confessar, mais imbecis) das obras-catástrofes de Emmerich (2012, O Dia Depois de Amanhã e Independence Day) é que independente do que vai acontecer, acontecerá em uma semana. Pode ser o derretimento de todo o gelo terrestre, a destruição da sua crosta, uma nova era glacial... Se passar muito de 3 dias já foi incompetente. 2012 também será sustentado por essa postura. Seguindo o ponto dos absurdos, o filme se sustenta na [suposta] profecia maia sobre o final do mundo, mas não gasta nem 30 segundos para explicar em que se baseia tal profecia. Por fim, algo que o diretor já havia feito em 10.000 AC, ele flerta com diversas teorias científicas, esotéricas e conspiratórias que, a fundo, até poderiam ser interessantes, mas de maneira tão superficial que a solução encontrada é a mais honesta possível: assuma logo no começo do seu texto que aquilo que propõe é absurdo ou impossível. Isso contentará a todos.

Por outro lado, se esse amontoado de situações ridículas tiram - claro - boa parte do impacto do filme, o diretor sabe como repor com outras doses. Seu cinema é puro entretenimento, mais vide-game que pipoca. Se você se dá ao trabalho de sair de casa para ver um filme do Emmerich e em seguida reclamar que o filme é cientificamente ou, enfim, artistica e culturalmente inútil, você merece apanhar. O cara assume desde os trailers e as fotos que seu único comprometimento é entreter. E isso faz com gosto. Somos submetidos a prédios, aviões, terremotos, vulcões, tsunamis (bem na moda), de todos os tipos. As cenas de aviões e carros normalmente nos dá a tremenda vontade de estar segurando um controle e fugindo dos obstáculos.

É aqui que mora uma curiosidade minha: se se assume tão fácil este lado da coisa, por que raios se faz tanta questão de dramas pessoais? Eles nunca são convincentes, sempre soam como desnecessários e chatos. É o pai ausente, os filhos que não terão tempo de despedir de seus pais, o casal em crise, e claro, as fraldas com 8 (ou 11, não lembro) anos de idade. É aqui que o filme realmente se perde, muito mais do que em seu descomprometimento com a realidade. Além dos dramas humanos, o filme se perde um tanto em algumas mensagens que ele pretende passar. A sensação final foi de moralista em algumas partes, bem quadradão quando discute família, casamentos e traições. Ao mesmo tempo é um tanto louco ao louvar o trabalho semi-escravo de chineses para a salvação de... americanos. E russos - nada aleatória a escolha de um russo para ser um dos seres mais repugnantes do filme.

Falar de atuações é um tanto difícil, parte porque não gosto tanto assim de John Cusack, parte porque todas elas são um tanto fracas e nada marcantes, e parte porque não perdemos tempo vendo isso quando há todo um prédio espelhado desmoronando enquanto o metrô sai do túnel para cair no nada. Seja como for, vale ressaltar que apesar de sua beleza, Amanda Peet realmente deveria buscar uma nova vocação.

No entanto, a parte que realmente importa se faz presente: os efeitos visuais e sonoros são impressionantes. Sim, Avatar promete chegar no fim do ano para jogar tudo isso no lixo. Que seja. Mas até novembro, 2012 tem os melhores efeitos visuais do ano. Há apenas algumas cenas noturnas do avião na China.

Contando com um terceiro ato totalmente gratuito, 2012 ainda se dá ao luxo de reler algumas cenas de Titanic, o melhor filme recente sobre um desastre. As saídas encontradas para o final do filme soam burocráticas e decepcionantes, mas talvez um dos momentos mais lógicos do filme. A música final também é uma tentativa deslavada de se conseguir alguma coisa com uma música sobre problemas ambientais(seguindo os passos de Wall-E que por sua vez seguiu Uma Verdade Inconveniente). Ao seu final 2012 soa muito mais longo que o necessário, mas em momento algum deixa de divertir. Cabe a nós sermos coerentes com aquilo que buscamos. Quer cultura vá ver outra coisa, fato.

Nota: 6,0

Agora nos Cinemas: (500) Dias com Ela


Indo bem direto ao assunto, (500) Dias com Ela chegou aos cinemas este ano com a pompa do filme independente cool do ano que arrebatou a crítica americana, tendo como antecessores foram Pequena Miss Sunshine, fantástico, e o mediano Juno. Infelizmente o filme do estreante diretor Marc Webb segue à risca os maiores defeitos enfrentados pelo filme da menina grávida. Tom (Joseph Gordon Levitt - o mais elogiável participante do projeto) é um garoto começando a tocar sua vida, em um emprego de criar cartões e mensagens que não faz jus a um suposto talento do garoto para arquitetura. Summer é uma garota consideravelmente perdida em seus sentimentos e suas indecisões. E aí acontece o que a frase do trailer deixa bem claro: ele se apaixona por ela. Ela não.

Não? Pois é. Isso fica evidente tarde demais no filme. Corajosamente estruturado em uma narrativa não-linear, que passeia (em uma certa lógica implícita) entre os bons e os maus dias dentre os tais 500, tendo um contador de dias um dos poucos guias para o público. Apesar de corajosa a escolha, ela não ajuda tanto assim a narrativa. Acompanhamos tantos altos e baixos que em momento alguma frase de abertura do filme parece ser sincera; além disso, tais idas e vindas dificultam uma maior ligação entre o espectador e os personagens.

Mas não mora aí o único ou o maior problema do filme. A sensação final ao assistir ao filme foi resumida em uma única palavra que não me saia da cabeça: excessivo. É um excesso de doce, inclusive nos momentos que o filme tenta ser cruel (o que nunca é tão verdadeiro); fazendo com que Zoey Deschanell soa quase como um pleonasmo cansativo. É um excesso de indecisões, é um excesso de idas e vindas. Até certo ponto é igual à vida de qualquer um, mas extrapola. Mas o pior excesso do filme é na sua tentativa cansativa e irritante em ser cool. De situações excêntricas ('penis' 'penis' 'PENIS') e deslocadas (que, claro, soam facilmente como descoladas) até a um excesso de trilha sonora alternativa (engraçado, vendo a playlist do filme achei a trilha uma delícia, mas ao vê-lo vi que as músicas se encaixaram terrivelmente mal), tudo no filme grita pedindo atenção para uma excentricidade e originalidade que acabam por cair no artificial... excessivo. É exatamente aqui que 500 Dias me lembro imediatamente Juno: um discurso adolescente alternativo que se repete infinitamente até tornar-se desinteressante. Pelo menos 500 Dias não pretende tratar assim nenhum assunto mais tenso do que uma paixão juvenil.

Ainda assim, alguns momentos do filme de fato são divertidos ou interessantes, como o 'número musical' que Tom cria após sua primeira noite com Summer e a tocante montagem em paralelo que exibem as expectativas e a realidade vivida por Tom em um mesmo evento. A trilha sonora, em separado, chega a ser interessante, e Zoey faz naturalmente aquilo que parece ser. O roteiro ainda aposta forte em uma ausência de resposta final como um dos seus maiores sinais de inteligência, enquanto não consegue, com isso, convencer sobre o que se passava.

Curiosamente o filme foi um sucesso estrondoso de crítica - uma das melhores cotações do ano. Isso quase o certifica na categoria de comédia ou musical nos Globos de Ouro, assim como sua indicação ao Oscar de melhor roteiro original é muito provável. Por outro lado, ele não parece ter conquistado a força que seus antecessores conquistaram. Razoavelmente interessante e divertido, é mesmo um dos exemplares mais diferentes do gênero comédia romântica em uns bons anos, mas está longe de ter algum poder revolucionário por isso.

Nota: 6,0